A cirurgia de crosslinking é um dos tratamentos cirúrgicos indicados para o ceratocone, doença oftalmológica que faz com que a córnea tenha sua curvatura alterada e se projete para frente.
O objetivo do procedimento cirúrgico é fortalecer a córnea, que perde a sua resistência com a progressão da doença e fica cada vez mais frágil.
A seguir, entenda como é feito o crosslinking e tire outras dúvidas sobre o procedimento.
Como é a cirurgia de crosslinking?
A cirurgia de crosslinking é um procedimento minimamente invasivo, normalmente indicada nos estágios iniciais do ceratocone, quando a qualidade visual ainda está boa ou apresenta falhas leves.
O procedimento também não exige anestesia geral e nem sedação. O paciente recebe anestesia tópica, em forma de colírio.
O cirurgião começa a cirurgia removendo o epitélio da córnea, isto é, a sua camada mais superficial. Para isso, ele faz uma leve raspagem.
Com a córnea mais “exposta”, o profissional aplica um colírio à base de riboflavina (vitamina B2). Esse colírio é aplicado de forma repetida durante alguns minutos para chegar até o estroma (a camada intermediária da córnea).
Quando a córnea já está a quantidade suficiente de riboflavina, ela recebe um feixe de luz ultravioleta (UVA), o que ativa a vitamina. A combinação da substância com a luz faz com que as fibras da córnea, antes fracas e separadas, se unam, fortalecendo a estrutura.
Dessa forma, a córnea fica mais resistente, o que faz com que a progressão do ceratocone possa ser, de certa forma, estabilizada.
A cirurgia de crosslinking dura cerca de uma hora. É feita em centro cirúrgico e não exige internação, permitindo que o paciente seja liberado no mesmo dia.
O crosslinking dói?
Não. O crosslinking não dói pois é feito com anestesia. Pacientes muito ansiosos podem receber sedação leve, mas em geral, não é necessário.
Recuperação e pós-operatório
Ao final do procedimento do crosslinking, o paciente recebe uma lente de contato terapêutica, que funciona como um curativo sobre a córnea raspada.
A lente deve permanecer no olho por, aproximadamente, sete dias, enquanto o epitélio que foi raspado cicatriza.
Durante o processo de cicatrização do epitélio, é comum que o paciente sinta desconforto, ardência, sensibilidade à luz e até dor. Para alívio desses sintomas, o oftalmologista pode prescrever colírios e analgésicos.
Além disso, o médico também pode indicar outros tipos de medicamentos, como colírios anti-inflamatórios, lubrificantes e antibióticos.
Nesta etapa, é de suma importância entender todas as orientações dadas pelo profissional, e segui-las corretamente.
O acompanhamento periódico com o médico oftalmologista também deve acontecer, antes e após a cirurgia de crosslinking.
Na maioria dos casos, a visão se estabiliza após 90 dias do procedimento, mas a recuperação do paciente pode ser em menos tempo.
Atenção: se você passou pela cirurgia de crosslinking e está com sintomas diferentes dos mencionados pelo seu oftalmologista, ou desconforto além do normal, procure ajuda oftalmológica imediatamente.
Quem pode passar pelo crosslinking
O crosslinking normalmente é indicado nos estágios iniciais do ceratocone – quando a córnea já apresenta uma deformação progressiva, mas ainda sem alterações visuais significativas.
Apenas um médico oftalmologista pode indicar a cirurgia como tratamento mais adequado para o caso do paciente. Para isso, é necessário passar por alguns exames, que identificam o estágio da doença.
O público que normalmente tem a indicação do crosslinking é majoritariamente formado por adolescentes e jovens adultos – nesta fase, a doença costuma ser mais ativa e ter uma progressão mais expressiva.
Existem contraindicações para a cirurgia?
Sim. Entre os pontos que podem ser um impedimento para a indicação e realização do crosslinking estão:
- espessura da córnea muito fina (menor que 400 micrômetros);
- infecção herpética prévia;
- infecção concomitante;
- cicatriz grave na córnea ou opacificação da córnea;
- doença de superfície ocular grave, como síndrome do olho seco grave e ceratoconjuntivite limbo-granulomatosa (LSCD);
- doenças autoimunes, como lúpus e artrite.
A cirurgia de crosslinking é duradoura?
Sim, a cirurgia de crosslinking é duradoura. Ela também tem altos índices de sucesso na estabilização do ceratocone.
Porém, é preciso entender que a doença não tem cura. Mesmo após o procedimento, ainda pode haver uma progressão. A situação é incomum, mas pode acontecer.
Por isso, é fundamental manter o acompanhamento oftalmológico, a fim de identificar precocemente qualquer anormalidade.
Quais os riscos da cirurgia?
Mesmo sendo considerado um procedimento seguro, o crosslinking ainda pode oferecer riscos, como qualquer outro tipo de cirurgia.
As principais complicações do crosslinking para ceratocone estão relacionadas com a cicatrização da superfície da córnea. A mais comum é a cicatrização mais longa.
A infecção ocular é outro risco possível, mas que pode ser prevenido com a administração adequada dos colírios prescritos.
Outro tipo de complicação é a chamada haze, que é a opacidade leve da córnea depois da cirurgia.
Essa opacidade é normal e esperada, uma vez que faz parte do processo de cicatrização. Normalmente ela permanece por até três meses e desaparece sozinha. Porém, a situação pode ser um risco quando dura mais tempo (cerca de seis meses) e causa um embaçamento mais intenso na visão.
Na sua forma grave, a haze pode deixar cicatriz. Para prevenir esse problema, é preciso seguir corretamente as orientações pós-operatórias, em especial evitar a exposição solar e administrar os colírios anti-inflamatórios, afastando as chances de inflamação.
O crosslinking é o único tratamento para ceratocone?
Não. Além da cirurgia de crosslinking, o ceratocone possui outros tratamentos, como o uso de lentes de contato, o implante de anel intracorneano e o transplante de córnea.
Cada um deles é indicado em diferentes estágios da doença. Saiba mais sobre os outros tratamentos do ceratocone.
Quanto custa uma cirurgia de crosslinking
Os custos da cirurgia de crosslinking normalmente envolvem consulta pré-operatória, exames oftalmológicos, a cirurgia em si e as consultas pós-operatórias. O valor pode variar de acordo com a clínica escolhida, se são um ou dois olhos e a complexidade da cirurgia.
É importante saber que nem todo oftalmologista é cirurgião. Portanto, dê preferência a um cirurgião especializado em córnea e ceratocone.
Desde 2018, a cirurgia de ceratocone é coberta pelos convênios médicos. Entretanto, existem algumas restrições, como carência e cobertura contratual. Verifique com o seu plano de saúde as condições gerais para fazer o crosslinking.
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Esse texto busca sensibilizar os pacientes a buscarem tratamento oftalmológico. Só o médico oftalmologista é capaz de diagnosticar e indicar os tratamentos e/ou cirurgias mais indicadas.
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