Ceratocone: o que é, sintomas e tratamentos

Ceratocone: o que é, sintomas e tratamentos

O ceratocone afeta o formato da córnea, podendo causar visão distorcida. Saiba mais sobre a doença e seus sintomas e conheça os tratamentos.
ceratocone
Publicado em 20 de fevereiro de 2026

Índice

O ceratocone é uma doença que atinge a córnea, camada transparente que cobre a superfície frontal do olho. Na condição, a córnea fica mais curva do que o normal, se assemelhando à forma de cone. Isso afeta diretamente a visão do paciente, especialmente se ele já tiver algum erro refrativo.

Em um olho normal, a córnea é arredondada. A luz passa por ela e chega até a retina, permitindo a formação de uma imagem nítida. A partir de uma deformação na córnea, que é o caso do ceratocone, o caminho da luz até a retina sofre alterações, formando imagens distorcidas.

Nesta matéria, saiba mais sobre o ceratocone e conheça seus sintomas, causas e tratamentos.

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O que é ceratocone?

Ceratocone é uma condição que altera a curvatura da córnea, fazendo-a projetar-se para frente. Essa estrutura do olho já é arredondada, acompanhando o formato do globo ocular. No entanto, na existência do ceratocone, a curvatura é mais fechada, deixando a córnea com formato que se assemelha a um cone.

Conforme a doença avança, a córnea se deforma e tem sua espessura reduzida gradativamente.

Normalmente, o ceratocone atinge os pacientes entre 10 e 25 anos, podendo, ainda, progredir até os 40 anos ou se estabilizar.

Quais as causas da doença?

A doença é genética e sua causa exata ainda é desconhecida, mas estudos indicam que ela pode estar relacionada a vários fatores. Além da hereditariedade, o coçar e esfregar dos olhos com frequência também podem influenciar na projeção da córnea para frente.

Quais são os sintomas do ceratocone?

Os sintomas do ceratocone podem ser mais leves ou mais intensos, a depender do estágio da doença. No início, é comum que os sintomas sejam mais leves. No entanto, é nessa etapa que o paciente deve se atentar e buscar o diagnóstico correto. Quanto antes a condição for identificada, mais cedo o tratamento adequado pode ser feito.

Os principais sintomas do ceratocone são:

  • coceira e incômodo nos olhos e na vista;
  • vista embaçada, desfocada e confusa;
  • desenvolvimento ou agravamento de erros refrativos, como miopia e astigmatismo;
  • aumento da sensibilidade à luz (fotofobia);
  • dificuldade para ver à noite.

Nos estágios mais avançados da doença, também pode haver outras complicações. Uma delas é o recuo da pálpebra inferior ao olhar para baixo, como na imagem a seguir.

Imagem do olho com Ceratocone

Outra condição grave é o escape do humor aquoso para o interior da córnea, o que causa perda aguda da visão. O humor aquoso é o líquido transparente que fica na parte frontal do olho, entre a córnea e a íris (parte colorida do olho).

Ceratocone pode causar cegueira?

Felizmente, ainda que o ceratocone possa prejudicar muito a visão do paciente, ele não geralmente causa cegueira de maneira definitiva. Assim como a catarata, os efeitos da doença acontecem na parte da frente do olho, não afetando o nervo óptico, que funciona como um “fio na tomada” até o cérebro.

No entanto, a qualidade de visão tende a cair muito com o tempo. Uma vez que a doença é progressiva, a nitidez vai se perdendo cada vez mais, e a perda visual é grave. Por isso, o ideal é buscar o tratamento adequado o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do ceratocone se dá após a realização de exames que avaliam a córnea do paciente e a qualidade da visão.

Um dos exames mais importantes solicitados é a topografia de córnea, que analisa a superfície frontal da córnea, criando uma espécie de mapa de relevo. A topografia corneana identifica o aumento da curvatura da córnea, mostrando o lugar exato onde a córnea começou a se projetar para frente.

Outro exame é a tomografia de córnea, também muito importante. Com ele, é possível analisar tanto a superfície frontal quanto a posterior (de trás) da córnea. Assim, o oftalmologista tem uma visão 3D da estrutura. Esse exame é essencial no diagnóstico precoce.

O terceiro exame normalmente solicitado é o de aberrometria ocular, que avalia a qualidade de visão do paciente.

Qual a relação entre ceratocone e astigmatismo?

O ceratocone e o astigmatismo são condições muito diferentes, mas que possuem sintomas semelhantes, o que pode gerar confusão.

O ceratocone é uma doença progressiva que deforma a córnea com o tempo. A estrutura se projeta para frente, com uma deformação acentuada, e fica cada vez mais fina e frágil.

Já o astigmatismo é um erro refrativo – e não uma doença. A condição envolve alterações no formato da córnea, mas de forma moderada. O astigmatismo também não altera a estrutura da córnea constantemente, embora o grau possa sofrer variações ao longo da vida.

Ambas as situações fazem com que o paciente tenha visão embaçada tanto de perto quanto de longe. Além disso, o ceratocone pode causar astigmatismo (considerado irregular, nesse caso), mas o contrário não acontece: o astigmatismo não causa o ceratocone.

O ceratocone estabiliza sozinho?

Embora o ceratocone não tenha cura, ele pode estabilizar com o tempo – normalmente, entre os 30 e 45 anos de idade.

Apesar disso, a estabilidade não deve ser esperada sem acompanhamento – os tratamentos são fundamentais para o controle da doença. Até que ela fique estável, a perda visual pode ser muito grave.

Ceratocone tem cura?

Não há uma cura permanente para o ceratocone, porém, os portadores conseguem ter uma vida saudável e com menos restrições seguindo as recomendações do oftalmologista.

A seguir, entenda como funcionam alguns dos possíveis tratamentos para a doença.

Lentes rígidas ou esclerais

As lentes utilizadas no tratamento do ceratocone são especiais, podendo ser rígidas ou esclerais. No caso, o oftalmologista é quem indicará qual modelo é o mais recomendado para o paciente, de acordo com as suas necessidades e o grau de avanço da doença.

As lentes rígidas gás permeáveis (RGP) estão disponíveis em três tipos:

  • RGP Esférica: mais indicada para tratamentos iniciais, com curvatura interna uniforme, sem variações centrais ou laterais;
  • RGP Asférica: tem uma curvatura central maior, mas não muito diferente nas partes laterais;
  • RGP Dupla Face: feita com curvaturas bem acentuadas entre as dimensões centrais e as laterais, para melhorar o desempenho da córnea.

Os médicos também podem indicar o uso das lentes esclerais. Elas são maiores que as lentes RGP e indicadas quando há dificuldade de adaptação com os outros modelos, por conta do avanço da córnea.

Você pode saber mais sobre os tipos de lentes para ceratocone nesta matéria.

Crosslinking

O crosslinking é uma cirurgia que tem como objetivo fortalecer a córnea e interromper a sua deformação. O procedimento dura cerca de uma hora e pode ser feito com anestesia local, aplicada com um colírio.

Após realizar exames preliminares para avaliar o avanço do ceratocone, o oftalmologista consegue identificar as necessidades do paciente.

No processo cirúrgico, o profissional faz uma raspagem na superfície da córnea e, logo depois, aplica um colírio de vitamina B2 para fortalecer a estrutura ocular.

Em seguida, o olho recebe o laser ultravioleta que fortalece as fibras da córnea.

Finalizando a cirurgia, o paciente usa uma lente de contato terapêutica, que age como um curativo, protegendo a cicatrização.

Ela só pode ser retirada depois de 5 a 7 dias, de acordo com a recomendação médica. Aqui, é fundamental que ela permaneça no olho operado até a cicatrização completa da superfície da córnea.

É importante ressaltar que o crosslinking não corrige totalmente o ceratocone. O seu objetivo é parar o crescimento da deformação na córnea. Portanto, sim, a cirurgia ajuda o paciente, porém, não melhora sua visão (como acontece em cirurgias refrativas, por exemplo).

Neste caso, o paciente que realiza a cirurgia de crosslinking ainda precisa usar óculos de grau ou lentes de contato após o procedimento.

Anel de Ferrara

O anel de Ferrara, ou anel intracorneano, é um tipo de tratamento cirúrgico, que consiste no implante de anéis de acrílico nos olhos do paciente.

Normalmente, esse procedimento é indicado em casos moderados de ceratocone. O objetivo dos anéis é corrigir o formato da córnea, melhorando, também, a visão.

Para começar, o paciente recebe anestesia tópica, em forma de colírio. O implante é feito em poucos minutos, e é feito após uma incisão no meio da córnea. Além disso, o anel não é colocado inteiro – antes, ele é dividido em dois, e cada metade fica de um lado da córnea.

Já dentro do olho, o anel de Ferrara tem o efeito de aplanação sobre a córnea. Ou seja, a estrutura ocular fica mais plana, semelhante à curvatura normal.

Transplante de córnea

O transplante de córnea costuma ser realizado em último caso, quando os demais tratamentos para ceratocone não tiveram resultados satisfatórios.

Assim como o próprio nome diz, o procedimento consiste na substituição da córnea do paciente, ou apenas de parte da estrutura.

O transplante penetrante de córnea é quando toda a espessura da córnea é substituída. Já o transplante lamelar é quando a substituição é de apenas uma parte.

Como é a recuperação da cirurgia de ceratocone?

Os procedimentos cirúrgicos como o crosslinking, o implante de anel de Ferrara e o transplante de córnea exigem um período de recuperação. Sendo cirurgias diferentes, o pós-operatório varia conforme a complexidade de cada uma.

Em geral, os sintomas logo após o procedimento podem envolver sensibilidade à luz, desconforto e vista embaçada. Para aliviar, é comum ter a prescrição do oftalmologista de colírios antibióticos e anti-inflamatórios, assim como de outros medicamentos.

Além disso, os cuidados pós-operatórios implicam garantir uma proteção maior aos olhos, seguir à risca as orientações sobre colírios e outros medicamentos, e realizar o acompanhamento oftalmológico adequadamente.

Saiba mais sobre a recuperação da cirurgia de ceratocone.

É possível prevenir a progressão do ceratocone?

Sim! Mesmo sendo uma doença progressiva, é possível evitar que o ceratocone avance até comprometer muito a córnea e a visão.

Para isso, é essencial buscar o tratamento adequado. Só assim para impedir a evolução da doença e manter o conforto e qualidade visual.

Vale destacar a importância do diagnóstico precoce. Hoje, com o avanço da tecnologia aliada à medicina, é possível detectar a presença do ceratocone antes mesmo de apresentar qualquer sintoma. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é fundamental.

Quanto custa a cirurgia de ceratocone

Os custos da cirurgia de ceratocone vão envolver consulta pré-operatória, exames oftalmológicos, a cirurgia em si e as consultas pós-operatórias.

O valor pode variar de acordo com a clínica escolhida, se são um ou dois olhos e a complexidade da cirurgia. Por isso, não existe um valor único para o procedimento.

É importante saber que nem todo oftalmologista é cirurgião. Portanto, é recomendado buscar um cirurgião especializado em ceratocone.

Vale saber também que, desde 2018, a cirurgia de ceratocone é coberta pelos convênios médicos. Entretanto, existem algumas restrições para que o procedimento seja efetuado nos beneficiários dos planos, como carência e cobertura contratual. Por isso, verifique com o seu plano de saúde as condições gerais para fazer o tratamento adequado.

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Onde buscar tratamento?

Ao notar o aparecimento de algum sintoma relacionado ao ceratocone, o ideal é agendar uma consulta com um médico oftalmologista, de preferência um especialista em córnea.

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Importante!

Esse texto busca sensibilizar os pacientes a buscarem tratamento oftalmológico. Só o médico oftalmologista é capaz de diagnosticar e indicar os tratamentos e/ou cirurgias mais indicadas.
Texto revisado pela Dra. Bárbara Nazareth Parize Clemente, CRM SP: 169506, Título Especialista (RQE): 74181. Médica oftalmologista graduada pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde / PUC-SP, residência médica no Hospital de Olhos Aparecida, subespecialização pelo Instituto da Visão IPEPO.
Caso seja necessária alguma retificação desse conteúdo, por favor, entre em contato conosco pelo nosso SAC.

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Mariana Ferrão

Jornalista especialista em saúde e bem-estar, Embaixadora Central da Visão