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Cirurgia de Pterígio: o que você precisa saber

O pterígio ou “carne crescida” é uma doença oftalmológica muito comum no Brasil, sobretudo nas regiões nordeste e em áreas litorâneas. Trata-se de uma membrana semelhante à conjuntiva (membrana que cobre a parte branca do olho) que cresce do canto interno do olho, próximo ao nariz, em direção ao centro, podendo atingir a córnea e afetar a visão do paciente.

A causa do pterígio, embora ainda não esteja completamente esclarecida, é relacionada a fatores ambientais, como contato intenso de raios solares, ventos e poluição com os olhos, ou também à hereditariedade. Pessoas que correm mais riscos de desenvolver a doença geralmente trabalham ou permanecem muito tempo ao ar livre, expostas a todos esses fatores e sem a devida proteção, como óculos escuros de boa qualidade e chapéus ou bonés.

Veja o que você precisa saber sobre a cirurgia de pterígio. Esse texto tem como objetivo

Sintomas do pterígio

Os sintomas do pterígio geralmente são irritação ocular, coceira, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento, ardor, vermelhidão, fotofobia (sensibilidade à luz). Além disso, o pterígio também pode causar certo incômodo estético, visto que os olhos vermelhos chamam a atenção das pessoas ao redor. Se você tem qualquer desses sintomas agende uma consulta com o médico oftalmologista. Ele é o profissional indicado para diagnosticar e indicar o tratamento correto de pterígio.

Por que fazer a cirurgia de pterígio?

A cirurgia de pterígio é recomendada quando a doença cresce o suficiente para chegar à córnea. Quando isso acontece, a visão do paciente é afetada de duas maneiras:

Afetando a transparência da córnea: a córnea é uma membrana que fica antes da íris. Por ser transparente, permite que a luz chegue até a íris de forma completa, formando a imagem perfeita da visão. Quando o pterígio atinge a córnea de modo a cobri-la, ele compromete sua transparência, pois possui vasos sanguíneos, assim como a conjuntiva. Uma vez que a córnea perde sua transparência, a visão fica embaçada.

Afetando a curvatura da córnea: a córnea também é curva, acompanhando a forma dos olhos. Quando o pterígio atinge a córnea, ele pode alterar a sua curvatura, causando dificuldade para focalizar objetos de longe e perto, que é o famoso astigmatismo.

Outra situação em que a cirurgia é recomendada é quando o paciente não consegue se sentir bem com a doença devido ao incômodo dos sintomas (muita coceira e irritação ocular) e também pela questão estética. Muitas vezes, a vermelhidão nos olhos chama a atenção de outras pessoas, causando certo desconforto para o paciente.

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Como é feita a cirurgia de pterígio?

Existem dois tipos de cirurgias:

Cirurgia simples: a cirurgia simples consiste na retirada do pterígio sem cobrir a área afetada, deixando que ela se recupere sozinha com o tempo. Este não é o tipo de cirurgia mais indicado, mas, com a área afetada desprotegida, é mais fácil ocorrer infecções pós-operatórias e até mesmo o pterígio recidivado, que é quando a doença volta. O índice de volta é de 50%.

Cirurgia com transplante de tecido: neste tipo de cirurgia, o pterígio é retirado e a área afetada é coberta por um transplante, que pode ser com conjuntiva ou com membrana amniótica, vinda de uma placenta. O fato de esta membrana possuir qualidades anti-inflamatórias e antibióticas faz com que o olho aceite o transplante sem maiores complicações. O transplante, antes feito com pontos, hoje é feito com uma cola específica.

Os dois tipos de cirurgia de pterígio são feitos com anestesia local com colírio ou gel analgésico. Após o processo cirúrgico, é colocada uma lente de contato terapêutica que serve como curativo, geralmente retirada no dia seguinte.

Há ainda outros tratamentos que não solucionam o problema do pterígio por completo, mas aliviam os sintomas e interrompem o crescimento da membrana, quando ainda em estágio inicial. A aplicação de colírios anti-inflamatórios e artificiais, como as lágrimas artificiais, é indicada para tratar a pele formada e hidratar o olho, evitando que ele fique ressecado e piore a condição do pterígio.

Como é a recuperação da cirurgia?

A recuperação da cirurgia normalmente é rápida, levando de sete a dez dias para que o paciente retorne à sua rotina de trabalho, e até 30 dias para voltar a praticar exercícios físicos. É importante seguir todas as prescrições médicas, como ficar em repouso nos dois primeiros dias e se atentar com a medicação, além de proteger os olhos da luminosidade, vento e sujeira, e do contato com qualquer coisa, inclusive as mãos. É possível que haja um desconforto no olho operado nos primeiros dias, como sensação de corpo estranho, o que é normal por conta do transplante realizado. Com o tempo, o incômodo passa.

Quais são os riscos da cirurgia de pterígio?

O principal risco da cirurgia de pterígio é a volta da doença, o chamado pterígio recidivado. O índice de volta é alto, principalmente quando a área afetada não é coberta na cirurgia, porém, a técnica de remoção com transplante diminui as chances de retorno da doença. Na maioria dos casos, a volta acontece nos primeiros 12 meses após a cirurgia, e não se repete após a segunda cirurgia de remoção.

Outros riscos são a perfuração da esclera, a parte branca do olho, e a má cicatrização da córnea. Por essa razão, é importante escolher um cirurgião com experiência em pterígio.

Como prevenir o pterígio?

A proteção aos olhos é fundamental para evitar o pterígio e sua recidiva, principalmente se o paciente costuma passar muito tempo ao ar livre, expostos aos raios solares, vento e poluição. Deve-se utilizar chapéus ou bonés e óculos escuros de boa qualidade – os de má qualidade não protegem o suficiente dos raios UVA e UVB. Em demais situações nas quais os olhos podem estar expostos a estes fatores, como andar de moto ou bicicleta, ou ainda fazer uma faxina em um ambiente que tenha muita poeira, o uso de óculos especiais também é recomendado.

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Importante!

Esse texto busca sensibilizar os pacientes a buscarem tratamento oftalmológico. Só o médico oftalmologista é capaz de diagnosticar e indicar os tratamentos e/ou cirurgias mais indicadas. Texto revisado pela Dra.Bárbara Nazareth Parize Clemente, CRM SP: 169506, Título Especialista (RQE): 74181. Médica oftalmologista graduada pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde / PUC-SP, residência médica no Hospital de Olhos Aparecida, subespecialização pelo Instituto da Visão IPEPO.

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